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Tem cura?

Por Liss Bischoff
Existe uma polêmica em torno do tema.
Diabetes tipo 2 tem cura?
Síndrome dos Ovários Policísticos tem cura?
Depende o que que se entende por “cura”…
Segundo o dicionário Aurélio:
Significado de cura
Ato ou efeito de curar.
2 – Curativo; remédio.
3 – Período em que se segue um tratamento contra uma doença.
4 – Recuperação da saúde.
Se eu usar a interpretação do dicionário “recuperação da saúde”, eu vou responder que sim, tem cura.
Uma pessoa com diabetes tipo 2 consegue recuperar a saúde? Sim, consegue.
Uma pessoa com síndrome dos ovários policísticos consegue recuperar a saúde? Sim, consegue.
No entanto, ouvimos dizer que essas doenças não têm “cura”, apenas “controle”.
Alguns autores falam em “remissão” ou “reversão” da doença, o que eu acho que é mais adequado.
Porquê? Porque essas são doenças de fundo alimentar.
A pessoa é levada ao estado de doença por conta de hábitos alimentares errados. Quando a pessoa corrige os hábitos alimentares que a levaram a esse estado, a doença entre em remissão.
Qual o problema da pessoa pensar que está “curada”? É a intepretação do sentido da palavra “cura”. A pessoa pensa que estar “curada” significa que ela pode voltar a fazer as mesmas coisas que ela fazia antes, que ela pode voltar a se alimentar daquela maneira errada que a levou ao estado de doença.
Qual o resultado disso? Veremos a seguir.
Um estudo clínico randomizado (Stentz et al., 2016 – http://drc.bmj.com/content/4/1/e000258) realizado com 24 mulheres e homens pré diabéticos fez uma intervenção com uma dieta de alta proteína (HP = 30% de proteína, 30% de gordura, 40% de carboidratos, n = 12) ou alto carboidrato (HC = 15% de proteína, 30% de gordura, 55% de carboidratos; n = 12) por 6 meses. Após 6 meses na dieta HP, 100% dos indivíduos tiveram remissão de sua condição de pré diabetes para a tolerância normal à glicose, enquanto que apenas 33,3% dos indivíduos alcançaram a remissão no grupo da dieta HC. O grupo de dieta HP apresentou, ainda, melhora significativa na sensibilidade à insulina e nos fatores de risco cardiovascular.
Isso mostra que mesmo que haja um componente genético importante no caso desses pacientes, o estilo de alimentação adotado por eles tem um papel ainda mais importante, sendo o fator decisivo entre o agravamento da doença ou a remissão da doença.
Outro estudo (Lean, 2017 – http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(17)33102-1/fulltext?elsca1=tlpr) mostrou que, aos 12 meses, quase metade dos participantes diabéticos conseguiu remissão para um estado não diabético e sem necessidade de uso de medicamentos antidiabéticos.
Nesse estudo forma recrutamos indivíduos de 20 a 65 anos que tinham sido diagnosticados com diabetes tipo 2 nos últimos 6 anos, tinham um índice de massa corporal (IMC) de 27-45 kg/m2 e não estavam recebendo insulina. A intervenção incluiu a retirada de medicamentos antidiabéticos e anti-hipertensivos, substituição total da dieta (825-853 kcal/dia por 3-5 meses), reintrodução de alimentos de forma escalonada (2-8 semanas) e suporte estruturado para manutenção da perda de peso a longo prazo.
Os resultados primários foram perda de peso de 15 kg ou mais e remissão de diabetes, definida como hemoglobina glicada (HbA1c) inferior a 6,5% após pelo menos 2 meses sem nenhum medicamento antidiabético.
Aos 12 meses, foi registrada perda de peso de 15 kg ou mais em 36 (24%) participantes do grupo de intervenção e nenhum participante no grupo controle (p <0 · 0001). A remissão do diabetes foi alcançada em 68 (46%) participantes do grupo de intervenção e seis (4%) participantes no grupo controle.
Essas pessoas conseguiram alcançar a remissão/reversão do diabetes e do pré diabetes. Elas estão curadas?
O que acontece depois disso?
Um ensaio prospectivo randomizado controlado (SATO, 2017 – https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27472929) mostrou que uma dieta com baixo carboidrato (LCD), com 130 g/dia, durante 6 meses, reduziu a HbA1c e o IMC mais do que uma dieta restrita em calorias (CRD). Para avaliar se os benefícios da dieta LCD persistiram após a intervenção intensiva, os autores comparam novamente o HbA1c e o IMC entre os grupos LCD e CRD um ano após o final desse estudo.
Após o final do estudo clínico randomizado de 6 meses, os pacientes foram autorizados a gerenciar suas próprias dietas com visitas ambulatoriais periódicas. Um ano depois, os dados clínicos e nutricionais dos pacientes foram analisados. (SATO, 2017 – http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0188892) Dos 66 participantes do estudo original, 27 no grupo CRD e 22 no grupo LCD completaram o teste.
Um ano após o final do ensaio clínico original, a ingestão de carboidratos foi comparável entre os grupos (215g/dia no grupo CRD e 214g/dia no grupo LCD).
Conclusões do estudo: Um ano após a intervenção da terapia de dieta, o efeito benéfico da dieta LCD na redução de HbA1c e IMC não persistiu em comparação com CRD.
Isso significa que ao voltarem ao seu padrão alimentar anterior, os pacientes perderam o benefício de melhora na patologia.
Vamos interpretar o que aconteceu?
Os participantes têm uma doença de fundo alimentar. Foram submetidos a uma intervenção em seus hábitos alimentares (nos 3 estudos citados). Muitos dos participantes chegaram ao ponto de manter a doença totalmente controlada apenas com essa intervenção, sem necessidade de medicamentos pra isso.
Esses participantes recuperaram a saúde? Certamente que sim. Mas o que aconteceu ao abondarem a intervenção e retornarem aos seus antigos hábitos alimentares? A melhora que tiveram com a intervenção se perdeu.
Algo mais óbvio do que isso? Claro que não! Afinal, a causa da doença é alimentar. Ao tratar a causa do problema – a alimentação incorreta –, o problema se foi. Ao retornar aos velhos hábitos alimentares, o problema voltou. Simples assim.
Eu peguei o vírus da gripe e fiquei doente. Fiz o tratamento e me curei da gripe. E seu eu ficar exposto novamente ao vírus (causador da doença)? Fico doente novamente.
Simples assim! Não tem mistério.
A mesma coisa acontece com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).
O que Diabetes tipo 2 e SOP têm em comum? Ambos têm a mesma causa subjacente: a resistência à insulina.
“Quando confrontados com inflamação, excesso de sinalização de insulina e outras questões, os ovários de algumas mulheres respondem desligando a ovulação e produzindo testosterona ao invés. Sim, provavelmente há um fator genético para essa tendência. Outras mulheres podem encarar a mesma inflamação e resistência à insulina, e ainda assim seus ovários resistem. Dito isso, não são os ovários que precisam de tratamento. O que precisa de tratamento é a condição hormonal ou metabólica subjacente.”
De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), “1 em cada 15 mulheres em idade reprodutiva tem SOP e a RI [Resistência à Insulina] atinge de 50 a 70% das mulheres com a Síndrome.” (fonte: https://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-sindrome-dos-ovarios-policisticos/)
Eu faria um complemento aí: 50 a 70% das mulheres têm diagnóstico de RI. Quantas outras têm o problema e não sabem? Sabemos da dificuldade de diagnóstico de resistência à insulina, uma vez que poucos médicos pedem os exames necessários para o correto diagnóstico. O número de mulheres com SOP e RI, com certeza, é bem maior do que isso.
A SBEM diz, ainda, que: “Para se tratar SOP e RI, é fundamental a mudança no estilo de vida. Isso melhora a resistência insulínica, a fertilidade, regula a ovulação e aumenta a sensibilidade à insulina”.
O tratamento para SOP é o mesmo da Diabetes. Porquê? Porque a causa subjacente é a mesma: resistência à insulina. Se eu tratar e melhorar a resistência à insulina, eu melhoro o Diabetes e melhoro a SOP.

Esse texto cita 3 estudos que mostram como uma dieta de baixo carboidrato pode reverter a SOP: https://resistenciainsulina.blog/2017/12/como-reverter-a-sindrome-dos-ovarios-policisticos-com-low-carb.html

Eu tinha SOP:

– Eu tinha a menstruação desregulada (ficava menstruada a cada 3 ou 4 meses);
– Eu tinha testosterona elevada (eu tinha 111 de testosterona, quando o máximo para mulheres seria algo próximo de 70);
– Eu tinha hirsutismo (crescimento de pelos no rosto e outros locais em que a mulher normalmente não tem pelos);
– Obviamente eu também tinha hiperinsulinemia e resistência à insulina.
Eu passei a tratar a resistência à insulina (causa) – com mudança de hábitos alimentares – e os sintomas da SOP desapareceram. Minha testosterona hoje é normal (na faixa de 47), não tomo anticoncepcionais e meu ciclo menstrual é bem regulado (28 dias). Os pelos no rosto e no corpo se foram.
Eu estou curada? Na minha visão, eu estou. Mas o que acontece se eu voltar aos meus velhos hábitos alimentares? Certamente o problema voltará… assim como a gripe volta se estiver exposta ao vírus novamente…
O diabetes tipo 2 é uma doença de intolerância à glicose. Veja aqui o relato de uma pessoa com diabetes tipo 2: https://resistenciainsulina.blog/2017/09/diabetes-uma-doenca-de-intolerancia-a-glicose.html
Recomendam que assistam também esse vídeo do dr. Barakat sobre Diabetes: https://www.youtube.com/watch?v=ClC-TJVCXzk
Recomendam também esses outros vídeos sobre a relação entre SOP e Diabetes:
SOP, Diabetes e Nutrição Funcional (Parte 1): https://youtu.be/4G4IFerWRTY
SOP, Diabetes e Nutrição Funcional (Parte 2): https://youtu.be/SvLgWNEkBP8
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