doença celíaca glúten

A história da Rê Calixto – parte 1 (o diagnóstico)

Por Rê Calixto
 

Resolvi contar minha trajetória pra vocês hoje! Então… Senta que lá vem história rsrs

Eu sempre fui uma pessoa conectada com saúde, comia “saudável” (leia-se pirâmide alimentar desatualizada) e sempre fiz muito exercício físico, era bailarina clássica, dançava jazz, fazia natação, ia pra academia… Fiz faculdade de fisioterapia porque adorava movimento, meu sonho era trabalhar com esporte, fitness, bem-estar. Meu problema era o tal TCC (transtorno do comer compulsivo) ou seja, eu fazia minha refeição saudável (arroz, feijão, carnes, frutas, suco de frutas natural) e logo depois detonava 2 pacotes de bolacha ou 1 barra inteira de chocolate…. Não conseguia nem esperar as 3 malditas horas! Meu peso oscilava absurdamente e rapidamente, emagrecia rápido e engordava mais rápido ainda. Eu vivia no Vigilantes do Peso e no endocrinologista. “Precisa fazer mais exercício né Renata, ballet não é esporte…Tem que levar mais a capricho a aula de step Renata, você é muito mole!”

Meu maior peso foi no fim de 2014, tinha 34 anos. Ali eu soube que algo estava muito mais errado do que de costume. Eu não era capaz de ficar 10 minutos em pé sem dor. Tinha dores articulares bilaterais nos calcanhares, joelhos, quadril e cotovelos… Urrava de dores, mas me esforçava ao máximo! Continuava caminhando, pedalando, fazia hidroginástica, fazia auto fisioterapia e nada…. Meu cabelo caia muito, chorava em desespero cada vez que me penteava. Pelo menos 1x por mês passava o dia no hospital tomando remédios na veia para cessar enxaquecas. Eu era uma pessoa explosiva, agressiva, impaciente, ansiosa, mau humorada e muito brava (bom, isso não mudou, continuo brava kkkk) mas ao mesmo tempo vivia deprimida, chorava até em filmes de comédia…. Estava com incontinência urinária severa.  Já saia de casa pensando aonde teria um banheiro. E as espinhas? Só pioravam… Eu suava muito! Saia de casa com toalhinha de ginástica e uma bermuda por de baixo da saia para não ficar com feridas entre as coxas. Não usava calças porque nem o 52 entrava nas minhas coxas, que ficaram deformadas tanta celulite. 

“Mano! Essa mulher deve ser é hipocondríaca!” Quem dera viu…. O psiquiatra era o único que acreditava que não. Com ele fiz tratamento para déficit de atenção, depressão bipolar, ansiedade, compulsão alimentar, insônia… Tomava um remédio para dormir, outro para acordar, outro pra não comer, outro pra ficar feliz, outro pra não virar o Hulk… Procurei tudo quanto era especialidade médica, que desgosto! “Você precisa comer melhor, fazer mais/menos exercícios, precisa de psicoterapia, está é com saudades de casa, precisa de remédio (mais?)”

Um belo dia, encontrei uma nutricionista funcional que me tirou o glúten e a lactose. Achei tudo muito estranho, afinal o glúten em si nem era tão calórico. Ela também tirou meu chá verde light de caixinha, falou pra nunca na vida usar tempero pronto. Que super radical, pensei kkkk Emagreci logo uns 6 quilos em 1 mês! Estava super disposta, bem-humorada, sem dores, zumba 3x por semana, 2x hidroginástica. Agora vai! Pensei em vão…

(Atenção! A partir daqui os relatos ficam mais nojentinhos. Como profissional da área da saúde, pra mim é natural relatar e ouvir esses detalhes então… aguentem aí! rsrs)

Minha querida irmã me convida pra ir pra NY, chique né bem!? Bom, logo no avião tive que sair da dieta. Pedi um macarrão com glúten e filet de frango funcional com chia e biomassa. As dores voltaram logo ali, meu quadril começou a doer tanto que não consegui dormir nada nas 10 horas de voo noturno. Meu humor, senhor! Quem aguentava? Vomitei a viagem inteira, era só entrar no taxi… tinha que sair com sacolinhas! Tomei tanto anti-inflamatório que tive que comprar mais lá. Fui fazer uma aula de dança na Broadway (um dos meus sonhos de criança) e no dia seguinte todos os meus 650 músculos estavam doendo. Nunca tinha tido tanta flatulência na vida. Voltei pro Rio péssima, até sintomas de ataxia eu tive (uma condição neurológica onde o glúten danifica o cerebelo), eu caminhava com a sensação de que o chão de casa estava inclinado, não acertava pegar os objetos, parecia que estava bêbada. Comecei a ter diarreias diárias (eu sempre tive constipação crônica, que nem enema salvava). Emagreci 3 quilos em 10 dias de viagem, achei bom que tinha me esforçado e caminhado bastante. Tentei voltar a minha rotina alimentar da nutri e voltei a frequentar a lojinha de naturais q era cliente.

(Pronto moçadinha, respirem! Aqui é o ponto que tudo começa a melhorar 😉)

Um belo dia, ao chegar na loja, me chamou a atenção um aviso de uma palestra que teria naquele mesmo dia. Seria o lançamento do livro da Dr. Noadia Leão, nutricionista, sobre glúten. Fui, queria experimentar produtos sem glúten de graça kkkk. Enquanto esperava a palestra recebi um folhetinho de uma senhora simpática, Miriam Francisca presidente da Acelbra-RJ, que dizia:

“RECONHECER

DOENÇA CELÍACA

VOCÊ PODE TER E NÃO SABER”

 

 

Eu li os sintomas listados e… Mano do céu, eu tenho isso! É Doença celíaca, tenho certeza! Saí de lá decidida a convencer um médico a fazer os exames corretos. Me disseram que o diagnóstico era difícil. Usei todo meu poder de persuasão, meus estudos no site www.riosemgluten.com.br (que devorei em poucos dias), minha experiência de ter trabalhado com médicos e pronto! Em 1 mês e 24 dias, veio o resultado: biopsia compatível com Doença Celíaca.

Estava de férias no apartamento que cresci quando li na tela do computador o resultado. Chorei! Lembro da sensação até hoje, lembro que as lágrimas foram mais ásperas, doeram, arranharam. Sabia o futuro que me esperava, já tinha estudado todas as modificações que teria que fazer na minha vida. Seria uma transformação e tanto. Após alguns minutos chorando, respirei, limpei as lágrimas e ainda com o rosto de choro contei para os meus pais, que não entenderam muito a gravidade. Peguei a chave do carro e fui ao supermercado fazer minha primeira compra estritamente gluten free. Data do óbito do glúten: 23/09/2015 às 17h46. 

Cabe aqui uma breve explicação do que é a Doença Celíaca:

“Desordem sistêmica autoimune, desencadeada pela ingestão de glúten. É caracterizada pela inflamação crônica da mucosa do intestino delgado que pode resultar na atrofia das vilosidades intestinais, com consequente má absorção intestinal e suas manifestações clínicas. O glúten é uma proteína que está presente nos seguintes alimentos: trigo, aveia, centeio, cevada e malte.

A doença celíaca ocorre em pessoas com tendência genética à doença. Geralmente aparece na infância, nas crianças com idade entre 1 e 3 anos, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive nas pessoas adultas (…)

O único tratamento é uma alimentação sem glúten por toda a vida. A pessoa que tem a doença celíaca nunca poderá consumir alimentos que contenham trigo, aveia, centeio, cevada e malte ou os seus derivados (farinha de trigo, pão, farinha de rosca, macarrão, bolachas, biscoitos, bolos e outros). A DOENÇA CELÍACA PODE LEVAR À MORTE SE NÃO FOR TRATADA.”

Referência: http://www.fenacelbra.com.br/fenacelbra/doenca-celiaca/

Eu tenho uma doença genética, autoimune, que mata ok…Obrigada Universo! Agora eu sei o que havia de errado comigo! Não sou hipocondríaca, nem louca, nem exagerada, eu sou apenas… CELÍACA! Que libertação! Meu sofrimento acabou! Serei saudável, recuperarei minha vida! O problema não sou eu, o problema é você glúten maldito dos quintos dos infernos, demoníaco… Morre demônio! Queime no mármore do inferno!!!! (Momento catarse, passou kkk)

Assim que voltei para minha casa no Rio, iniciei todo o processo de limpeza do glúten do apartamento. Joguei fora muito alimento, doei vários utensílios de cozinha, desembolsei para repô-los. Comecei a me organizar pois não haveria mais a possibilidade de comer fora de casa. Não poderia jacar, fazer exceções, comer de vez em quando um pouquinho. Vale esclarecer que não basta tirar o glúten visível, mas sim todos os outros alimentos que foram preparados perto dele. Cozinhar todas as refeições do dia era preciso. Foi fácil? Obviamente não! Mas foi NECESSÁRIO, MANDATÓRIO. Minha vida estava em risco e eu optei por lutar e me salvar, simples assim. Escolhi ser feliz e saudável.

“Rê, então depois do diagnóstico tudo melhorou na sua vida? Basta uma dieta sem glúten e sem contaminação cruzada para manter-se saudável? Bom, essa resposta eu darei num próximo post (suspense rsrs). Darei um spoiler:

          Sintomas que “curaram” após 3 meses de DSG (dieta sem glúten):

– Candidíase de repetição

-Incontinência urinária

-Diarreia

-Constipação

-Queda de cabelo

-Dores articulares

-Dores musculares

-Tendinites

-Depressão

-Pensamento enevoados

-Déficit de atenção

-Ataxia

-Insônia

-Flatulência exagerada

-Enxaqueca

-Amenorreia (ausência de menstruação)

-Anemia

-Abdome distendido

-Vômitos

          Sintomas que não “curaram” com a DSG:

-Obesidade

-Mau humor

-Tonturas

-Sensação de desmaio

-Quedas de pressão

-Espinhas

-Fúria de comer

-Síndrome do Hulk (agressividade repentina)

-Hiperidrose no couro cabeludo e face

Bom moçadinha, agora vocês conhecem a primeira parte do meu processo de ganho de saúde. Volto em breve com a 2ª. Parte 😉

 
 
 
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